JOL é a abreviatura bonitinha de “Jornalismo Online”.
O texto abaixo foi desenvolvido pelo professor Hugo Gandolfi de Oliveira, com colaboração do professor Érico Assis, para integrar o futuro Manual de Redação do Curso de Jornalismo da Unochapecó. Serve como introdução a vários aspectos que teremos que estudar na disciplina.
- – -
O jornalismo online tem três características principais: instantaneidade, hiper-textualidade e segmentação.
Nele, o profissional redige e já coloca o seu serviço, ou o seu produto, diretamente em um meio que de imediato está à disposição do receptor. Não há periodicidade definida. As restrições de tempo e de espaço são extremamente reduzidas. Ele é rápido, direto; instantâneo. Ao mesmo tempo, porém, a perenidade da notícia publicada é alta, pois pode ser relacionada por outro texto (linkada, encontrada em sistemas de busca) mesmo anos após sua publicação original.
Por a própria mídia ser hipertextual – um texto ou página aponta caminhos, os links, para levar o leitor a outros textos ou páginas relacionados –, é necessário explorar as possibilidades de economia textual na redação. Por exemplo, uma matéria pode ser rápida na descrição de um novo fato e deixar o trabalho de contextualização “pesado” para os links, vinculando outras matérias (seja no próprio veículo que se está escrevendo ou numa fonte externa) que expliquem em profundidade fatos anteriores relacionados.
Por fim, o achatamento de tempo e espaço que a Internet provoca também possibilita a criação de jornalismo segmentado a públicos bem específicos. Há editorias que não possuem material suficiente para preencher uma página de jornal impresso, há temáticas que não sustentam uma revista mensal ou um programa de TV semanal, seja por falta de rotatividade de novos fatos, seja por não haver público suficiente interessado nestes temas – e por isso nunca recebem espaço nas mídias tradicionais. Como a Internet não tem esta necessidade de preencher espaços e não está restrita a limites geográficos, pode ter conteúdos que alcançam o público interessado de uma forma que outras mídias não alcançariam. Um website jornalístico dedicado a um tema e público bem específicos – digamos, investidores do mercado financeiro de meia idade, ou imigrantes indianos no Brasil – encontra este público na Internet devido a esta facilidade de acesso, e dificilmente o encontraria através de bancas, assinaturas ou na grade de programação das mídias eletrônicas (sobre este fenômeno, pesquisar a proposta da “cauda longa”).
Outras características da mídia são a interatividade, a multiplicidade de linguagens e a personalização do conteúdo. O interesse do receptor, porém, é o mesmo de outras mídias: a notícia e o entretenimento.
Dificuldades
Uma das dificuldades do jornalismo online refere-se à produção do conteúdo, muitas vezes baseado no mesmo que é destinado para outras mídias, como a impressa e a eletrônica. Outro fator é a necessidade de ordenação do conteúdo, para gerar atratividade, já que o monitor não é uma página de jornal ou revista que pode ser facilmente folheada. A leitura na internet é mais lenta do que em impressos, cerca de 25%.
Conforme a matéria, também há a necessidade da atualização constante, pois o acesso é feito a qualquer hora. No jornalismo online de “hard news”, o deadline é apenas uma palavra de referência, ou de compromisso, pois o fechamento da “edição” na verdade se faz a todo momento.
Até o momento, não se tem um modelo perfeito para sobrevivência financeira dos veículos jornalísticos online, como as outras mídias têm. Já se percebe que o modelo baseado na publicidade, que sustenta os veículos em outras mídias, não pode ser simplesmente transposto para o meio online (mesmo assim, o jornalismo online – “de graça”, ao ver do público leitor – está prejudicando os índices de leitura e assistência dos outros meios). O mercado jornalístico ainda busca uma solução para esta dificuldade.
Fontes
As fontes deste tipo de mídia são as mesmas dos demais veículos. O leitor exigente, porém, cobra dos veículos a contextualização e fundamentação de notícias (ou opiniões) a partir de links, portanto esta característica hipertextual deve ser explorada.
Requisitos para o jornalista
O profissional que trabalha com o jornalismo online deve considerar as características do meio e, principalmente, sua instantaneidade, perenidade e o formato para a leitura. Assim, necessita pensar do ponto de vista do visual da página ou da tela, com design atrativo para o leitor. Também deve ter curiosidade e dedicação, como em outros meios. É importante, igualmente, que tenha conhecimento mínimo de inglês e saiba atuar em conjunto com o designer e o técnico.
Uma das vantagens para o webjornalista é a possibilidade, ou mesmo a facilidade, de saber quantos lêem o seu trabalho, através do controle dos acessos. Da mesma forma, o webjornalista tem acesso facilitado ao que os leitores pensam sobre seu trabalho, através das possibilidades de interação como e-mail, fóruns de discussão ou sistemas de comentários vinculados às notícias publicada.
Não se pode esquecer, nunca, que o jornalismo via internet é uma mistura de jornal, rádio, televisão, cinema e hipertexto.
Valores
Os valores que devem ser considerados pelo profissional que se dedica ao texto para a mídia online são os mesmos que nas demais categorias do jornalismo, do ponto de vista moral e ético. A função, mesmo com seus diferenciais, exige os mesmos cuidados que aqueles necessários quando se escreve para a mídia impressa ou eletrônica.
Bibliografia
BRIGGS, Mark. Jornalismo 2.0: como sobreviver e prosperar. Austin: Knight Center for Journalism in the Americas, 2007. Disponível em http://knightcenter.utexas.edu/journalism20.php
FERRARI, Pollyana. Hipertexto hipermídia: as novas ferramentas da comunicação digital. São Paulo: Contexto, 2003.
FERRARI, Pollyana. Jornalismo digital. São Paulo: Contexto, 2003.
GRANADO, Antonio. Ponto Media (blog). Lisboa: ciberjornalismo.com. Disponível em http://ciberjornalismo.com/pontomedia/.
RODRIGUES, Bruno. Webwriting: pensando o texto para a mídia digital. São Paulo: Berkeley, 2000.
Outras indicações
ANDERSON, Chris. A cauda longa: do mercado de massa para o mercado de nicho. Rio de Janeiro: Campus/Elsevier, 2006.
CASTELLS, Manuel. A galáxia da internet: reflexões sobre a internet, os negócios e a sociedade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003.
GILLMOR, Dan. We the media: grassroots journalism by the people, for the people. Sebastopol: O’Reilly, 2004. Disponível em http://www.oreilly.com/catalog/wemedia/book/index.csp
JOHNSON, Steven. Cultura da Interface: como o computador transforma nossa maneira de criar e comunicar. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001.
MACHADO, Elias; PALACIOS, Marcos. Modelos de jornalismo digital. Salvador: Edições GJOL/Calandra, 2003.
RODRIGUES, Marcus Vinicius. O papel do web jornal: veículo de comunicação e sistemas de informação. Porto Alegre: EdiPUC-RS, 2000.
[...] O que é JOL? [...]