O texto abaixo é uma tradução do texto Revamping the Story Flow for Journalists, de Mark Glaser, escrito para o site Mediashift.
Renovando o fluxo da reportagem para jornalistas
Mark Glaser
3/dezembro/2007
Toda vez que sento para escrever uma reportagem mais aprofundada para o MediaShift, começo a sentir a mesma coisa: será que estou esquecendo de algo? Será que alguém já escreveu essa reportagem? Será que eu falei com todas as pessoas certas? Será que essas pessoas me falaram tudo que eu precisava? Será que entendi mesmo a pauta e minha abordagem está correta? Dei conta de todos os lados?
Gostaria de explorar novas formas de encontrar pautas, de fazer a apuração e o pós-reportagem usando as ferramentas da colaboração online, e também de ir além do tradicional jornalismo gastando sola de sapato. Não quero jogar fora o estilo tradicional, mas me basear nele, tirando o que há de melhor no novo e no antigo para criar algo mais aberto e mais colaborativo. Dessa forma, vou descrever três fluxos principais: o fluxo do jornalismo old school (pré-Internet); o jornalismo atual; e um método new school baseado em uma realidade com mais leitores conectados.
Como era
1. O editor ou o repórter tem uma ideia. A ideia pode vir de alguém que telefonou ou mandou uma carta para a redação, ou de um press release, ou de reportagens de outros veículos que merecem uma abordagem diferente. A reportagem também pode surgir da própria experiência diária do repórter.
2. A ideia é levada a uma reunião editorial, é discutida por editores e repórteres, e recebe sinal verde.
3. O repórter faz a pesquisa básica para a reportagem checando os arquivos do jornal, assistindo reportagens de TV antigas ou mesmo procurando gravações de rádio. O repórter também pode contatar suas fontes regulares para conferir o que elas sabem. Se a reportagem relaciona-se a um lugar, o repórter pode visitá-lo para entendê-lo melhor.
4. O repórter entrevista pessoas envolvidas com a reportagem, experts, analistas e outros observadores e participantes para recolher o máximo possível de informação.
5. O repórter confere com o editor se a reportagem está no caminho certo e se nada ficou de fora.
6. O repórter recolhe todo o material, incluindo a pesquisa, as entrevistas transcritas e os comentários do editor, e seleciona as declarações mais relevantes para a reportagem.
7. O repórter escreve a reportagem usando esse material, envia-a para o editor e faz alterações até a versão final poder ser publicada. A reportagem é impressa, ou roda na TV ou no rádio.
8. Leitores ou envolvidos na reportagem dão feedback com ligações ou escrevendo cartas para a redação, o que leva a correções ou novas reportagens baseadas na primeira.
Como é
1. O editor ou o repórter tem uma ideia. A ideia pode vir de alguém que ligou ou mandou um e-mail para a redação, ou de um press release, ou de reportagens de outros veículos, incluindo blogs, que merecem uma abordagem diferente ou maior aprofundamento. A reportagem também pode surgir de fóruns na internet ou comentários em outras reportagens publicadas online, ou da própria experiência do repórter como blogueiro que escreve sobre o assunto.
2. A ideia é levada a uma reunião editorial, é discutida por editores e repórteres, e recebe sinal verde.
3. O repórter faz a pesquisa básica para a reportagem na internet, usando mecanismos de busca e procurando o que já foi escrito sobre o assunto em outros veículos e blogs especializados. O repórter também pode contatar suas fontes regulares para conferir o que elas sabem. Se a reportagem relaciona-se a um lugar, o repórter pode visitá-lo para entendê-lo melhor.
4. O repórter entrevista pessoas envolvidas com a reportagem, experts, analistas e outros observadores e participantes para recolher o máximo possível de informação. Isto inclui e-mails, telefonemas ou entrevistas cara a cara.
5. O repórter confere com o editor se a reportagem está no caminho certo e se nada ficou de fora.
6. O repórter recolhe todo o material, incluindo a pesquisa, as entrevistas transcritas, os links para blogs relacionados e os comentários do editor, e seleciona as declarações mais relevantes para a reportagem. Às vezes, o repórter também pode preparar transcrições não-editadas, bem como áudio e vídeo para postar online como conteúdo adicional da reportagem.
7. O repórter escreve a reportagem usando esse material, envia-a para o editor e faz alterações até a versão final poder ser publicada. A reportagem é publicada online, ou é impressa, ou roda na TV ou no rádio.
8. Leitores ou envolvidos na reportagem dão feedback com ligações ou e-mails para a redação, ou deixam comentários na versão online, ou escrevem suas reflexões sobre a reportagem em seus próprios blogs, o que leva a correções ou novas reportagens baseadas da primeira.
Como será
1. As ideias surgem em uma comunidade ou rede social criada especificamente para a editoria do repórter. A comunidade inclui fontes importantes, experts e várias pessoas com conhecimento especializado no assunto. O repórter pode publicar posts semanais do tipo “pensando alto” no seu blog, listando ideias e pedindo feedback de leitores interessados. O repórter também pode fazer uma votação entre leitores interessados ou fazê-los vetar ou apoiar possíveis ideias de reportagem, ou deixá-los contribuírem com dinheiro ou “milhagem de leitor” (acumulada por participação) para produzir reportagens que eles gostariam de ver.
Também é possível que o editor ou o repórter tenha uma ideia. A ideia pode vir de alguém que liga ou manda um e-mail para a redação, ou de um press release ou de reportagens de outros veículos, incluindo blogs, que merecem um novo ângulo ou maior aprofundamento. A reportagem também pode surgir de fóruns na internet ou comentários em outras reportagens publicadas online, ou da própria experiência pessoal do repórter.
2. A ideia é discutida entre a rede social do repórter, que o ajuda a decidir se ela merece mais pesquisa. No blog do repórter, a ideia pode ser mais desenvolvida, o que pode render mais feedback de leitores interessados. A ideia é levada a uma reunião editorial, discutida por editores e repórteres, e recebe sinal verde. O sinal verde também leva em conta o interesse de leitores do blog ou da rede social do repórter.
3. O repórter faz a pesquisa básica para a reportagem na Internet, usando mecanismos de busca e procurando o que já foi escrito sobre o assunto em outros veículos e blogs especializados. O repórter monta um wiki, onde leitores interessados e fontes podem ajudar a dar forma à reportagem enquanto ela é construída. O repórter também pode contatar suas fontes regulares para conferir o que elas sabem. Se a reportagem relaciona-se a um lugar, o repórter pode visitá-lo para entendê-lo melhor.
4. O repórter entrevista pessoas envolvidas com a reportagem, experts, analistas e outros observadores e participantes para recolher o máximo possível de informação. As fontes incluiriam sugestões feitas na rede social ou em posts anteriores no blog sobre o assunto. As entrevistas podem ser feitas via e-mail, por telefone ou cara a cara.
5. O repórter confere com o editor se a reportagem está no caminho certo e se nada ficou de fora. O repórter também atualiza seu blog e sua rede social para garantir que nada tenha ficado de fora da reportagem.
6. O repórter recolhe todo o material, incluindo a pesquisa, as entrevistas transcritas, os links para blogs relacionados e os comentários do editor, e seleciona as declarações mais relevantes para a reportagem. O repórter também prepara transcrições não-editadas, bem como áudio e vídeo para postar online como conteúdo adicional da reportagem. O repórter também tem a possibilidade de dar esse material não editado a fontes para que elas confiram e postem em seus próprios websites ou blogs, sob a condição de que eles linkem para a reportagem publicada.
7. O repórter escreve a reportagem usando esse material, envia-a para o editor e faz alterações até a versão final poder ser publicada. A reportagem é publicada online, ou é impressa, ou roda na TV ou no rádio, ou vai para um wiki onde o público pode fazer alterações sob supervisão editorial.
8. Leitores ou envolvidos na reportagem dão o feedback com telefonemas ou e-mails para a redação, ou deixam comentários na versão online, o que leva a correções ou novas reportagens baseadas na primeira. O wiki da reportagem está aberto para edição – sob supervisão – para sempre, o que permite atualizações, correções, links para outras fontes e muito mais.